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SOPHIA

 

Há uma cerimónia de jardim quedo. Há uma justiça de não tocar as pétalas com os dedos, de envolver as duas próprias mortes em sudário desdobrado de antiquíssimas gavetas onde a poeira tornou a esterilidade limpa de cinzas. Há todo e todo o branco suportado. E ainda o menineiro jogo dos pequenos dizeres sobre pedras e conchas irmanadas. E mais, de primazia silente - a estranheza do corpo não ficado á luz, do estropiado de tudo, da consciência, da inútil proliferação  de tudo, face à singeleza do fio das águas, das estátuas.

 

Pode conhecer-se aí a rosa náutica, o translúcido canto dos naufrágios.

 

in Cravo

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"Neste país, paraíso triste, de séculos em séculos acontecem milagres.

A Sophia foi um dos milagres acontecidos à nossa alma. Visionária do visível, reinventou uma sonoridade límpida para os nomes que damos às coisas, o mar, a luz, o fogo, a cal dos quartos onde se cresceu só, a justiça, a liberdade. Durante anos levantou a cabeça das nossas crianças para o assombro.


Fê-lo por uma conjunção muito difícil de encontrar no ser português: a paixão da claridade e a capacidade de confronto com o caos. Acho que foi essa a essência da sua vida e da sua obra: usar o gume da palavra clara e justa contra o horror e a espessura opaca do mundo que não cessaram nunca de a acossar. Perdemos também isso e a sua incitação a uma alegria por vezes feroz; indomável como a das grandes crianças. Perdemos a menina do mar alto.

Mas acho que foi Sophia quem escreveu o seu próprio epitáfio nesta "Ode à Maneira de Horácio". Fiquemos com a sua voz, o claro sopro que é o seu legado:

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o caçador e a caçada
E sob o fulgor da noite constelada
À beira da tenda partilhou o vinho e a vida"

(Texto lido na missa para Sophia de Mello Breyner Andresen, na Igreja da Graça, em Lisboa, a 4 de Julho de 2004)

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Tesouros

por ana, em 01.07.14

Encontrei, nas arrumações, este tesouro (Poema de Manuel Hermínio Monteiro, ilustração de Manuel Rosa in  A IDEIA anartista 30-31, 1983):

 

 

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