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"sou muito optimista! Não acredito em nada mas faço como se acreditasse e ajo como se acreditasse" João dos Santos

Lembram-se de vos ter dito, no meu anterior #Postal_de_férias em forma de carta, que os homens e mulheres envelheciam precocemente, tinham um ar triste, e no entanto tinham uma força enorme?
Dou-vos a conhecer hoje os pregões habituais das peixeiras da praia do Furadouro que faziam a pé,- a maior parte delas descalças - de canastra, carregada de peixe, na cabeça, o trajecto Furadouro-Ovar (4,6 Km) para irem vender o peixe do nosso mar. Os pescadores também levavam peixe para a venda mas eles "em gigas suspensas num bordão - uma de cada lado - que suportavam nos ombros calejados, apregoando elas, no seu estilo característico e tão inconfundível:
-Ai a rica sardinha!...
- Olha a rica sardinha fresca do nosso maaaaari!...
- É do nosso maaaaari! freguesas!...
-Venham ver esta riqueza vivinha do nosso maaaaari!..."
(fonte: Manuel Ferreira Gomes "Ovar - a paisagem e o Indivíduo - alguns apontamentos e evocações)
Mas a praia do Furadouro nem só dos pregões das peixeiras vivia. Dias havia, naqueles em que se vendiam enguias no mercado, que, manhã cedo um miúdo, o Fausto, filho de um pescador, com uma entoação e sotaque que me encantavam apregoava:
- iéé vir àsas enguias, queeeemmm queeer comprarar enguias, que jáá se vão bunder
(Que pena A Música Portuguesa a Gostar dela Própria, não tenha registado este pregão)

foto daqui